Thiago Marzano On June - 4 - 2012

Muitas mulheres não sentem prazer, mas dor, durante a penetração – e isso tem um nome: dispaurenia. Saiba mais sobre ela.

O termo se refere à ocorrência de dor durante ou após o coito vaginal. A dor é causada por fatores orgânicos e/ou psicogênicos, mas a dispareunia é a disfunção sexual para qual mais freqüentemente encontramos causas orgânicas, sendo as mais comuns:

Processos inflamatórios: do tipo vulvo-vaginite (quando há inflamações da vulva e da vagina), colpite (processo inflamatório do colo uterino) ou anexite (situação na qual ocorre um processo inflamatório das trompas, dos ovários ou dos ligamentos suspensores do útero).
Modificações anatômicas da vagina: há situações em que a vagina apresenta alterações de suas dimensões normais, como malformações (vagina dupla, septada, etc) ou conseqüências de cirurgias vaginais ou traumas.
Alterações funcionais da vagina: durante o ciclo de resposta sexual, na fase de excitação, a vagina se alonga e se alarga, principalmente nos dois terços superiores, o que permite uma melhor acomodação do pênis. Como conseqüência de uma infecção ou de uma cirurgia, podem restar cicatrizes que dificultem ou impeçam tal dilatação. Observa-se esse fato em algumas intervenções como histerectomia total (remoção do útero) e amputações do colo uterino.
Alterações tróficas da parede vaginal: em algumas condições, nas quais haja acentuada baixa da taxa de estrógenos (hormônios femininos), as paredes vaginais ficam mais finas e friáveis, tornando dolorosa sua dilatação. É o que pode acontecer, por exemplo, na pós-menopausa
- Tumores pélvicos ou abdominais: podem criar condições que dificultem a distensão da vagina. É o caso dos miomas uterinos, por exemplo.

Quando os fatores orgânicos não estão presentes, a dispareunia pode ser entendida como causa ou manutenção de uma inibição da sexualidade feminina. Teremos os fatores psicogênicos exclusivos, geralmente ligados ao comportamento agressivo da mulher em relação ao homem, conflitos de identidade e papel sexual e quadros de fobia (caso de um estupro anterior, por exemplo), que resultam na impossibilidade do ato sexual pela dor e inviabilizam a manifestação do papel sexual feminino.
O tratamento da dispareunia é o da causa específica. É extremamente difícil associar dor ao prazer e, assim sendo, a mulher se afasta do parceiro, o que pode levar a problemas conjugais de intensidade variada. Nesses casos, o tratamento deve ser feito em conjunto por ginecologista e terapeuta sexual.

Dra. Sylvia Faria Marzano
Urologista, Terapeuta de família, casal e sexual.
Diretora do Instituto ISEXP
@sylviamarzano
sylviamarzano.blogspot.com
www.sylviamarzano.com.br

Foto: Acervo

Categories: Geral, Sexualidade

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